Não havia alternativa. Para sobreviver, teria que trabalhar nos tempos livres que lhe restavam. Todos os dias, apenas parava para comer e dormir, o que não conseguia fazer pela falta de sentido de vida. A ela, nem emprego lhe davam. Diziam que eram trabalhos muito exigentes para mulheres.
No dia seguinte, vi isto afixado:
Aviso todas as pessoas para se retirarem da fábrica até às 9h55, hora exacta em que será bombardeada. O objectivo é alertar para a submissão do amor ao capitalismo, pelo que apenas pretendemos explodir com as instalações. O anarquista continuará no anonimato. Apenas se sabe que este é um acto feminista.
Sobreviveram todos. Agora, já não é a fábrica que faz a comida. Somos nós que plantamos, transformamos, cozinhamos e comemos. Todos têm tempo e conseguem dormir. E, diz-se por aí, o nosso ex-chefe, que estava impotente, faz amor muitas vezes.
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Comida pós-moderna III.
“O mais importante para a saúde de uma pessoa não é necessariamente se ela consome ou não os nutrientes bons ou maus, nem as calorias que consome. Mais do que qualquer outra coisa, o que dita uma dieta saudável é o facto de aquilo que se come ter sido cozinhado em casa e não numa empresa. As empresas cozinham de uma forma muito diferente das pessoas. Usam vastas quantidades de sal, gordura e açúcar, muito mais do que nós usaríamos alguma vez em casa. E a razão pela qual elas o fazem reside no facto destes ingredientes serem incrivelmente atractivos e baratos e, quando colocados numa batata, por exemplo, ou em bolos, e várias outras formas de junk food, são incrivelmente viciantes.”
Comida pós-moderna I.
Comer comida é um dos maiores desafios dos seres humanos do século XXI. Os peixes comem plantas, ovos de peixes, peixes mais pequenos, pequenos crustáceos e restos de alimentos que encontram na água. Os répteis alimentam-se de flores, ovos, algas e outros animais. Os mamíferos selvagens comem ervas, vegetais, cereais, frutos e sementes. Nós precisamos de tirar um mestrado em ciências da nutrição para sabermos o que comer.
Todos os dias, chegam milhares de novos produtos aos supermercados que se esforçam por convencer-nos que são comida, quando realmente são um amontoado de ingredientes altamente processados que a nossa bisavó não faria a mínima ideia do que se trataria. Sulfato de amoníaco e glutamato monossódico são coisas que se comem? Parece que sim. Toda a gente já os trouxe do supermercado, no pão embalado, nos iogurtes gregos ou nas bolachas para bebés. São aditivos químicos usados para intensificar o sabor dos alimentos, conservá-los e dar-lhes cor e aromas apelativos, ou seja, todas as características que um alimento fresco e não tratado tem, naturalmente.
Outra característica fora do padrão clássico alimentar é a obsessão pelas propriedades dos alimentos que supostamente vão-resolver-todos-os-problemas-da-sua-vida. São os fitoesteróis do creme vegetal que vão acabar com o seu colesterol, é a vitamina B6 dos mini-iogurtes que vão protegê-lo contra todas as gripes e constipações e os sumos recheados de antioxidantes que vão mantê-lo jovem para sempre.
Então, aqui vai a pergunta que se torna praticamente inevitável diante das longas prateleiras dos supermercados apinhadas de alimentos processados: Porquê?
Bem, vender legumes frescos que apodrecem numa semana, arroz que ganha bicho e pão tosco que ganha bolor rende muito menos dinheiro. Já pensou como é um quilo de batatas pré-fritas congeladas é mais barato do que um vulgar quilo de batatas que nem descascadas estão?
É claro que os alimentos altamente processados, cheios de aditivos químicos e desprovidos da maior parte dos seus nutrientes naturais, têm uma data de validade radicalmente mais longa do que os alimentos frescos. Processo e embalo hoje, vendo durante um ano.
O problema é que os alimentos processados aumentam a probabilidade de virmos a sofrer de diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e cancro, coisa que o material promocional destes alimentos nunca refere, tal como as relações públicas da indústria da saúde não falam dos estudos que afirmam que a maior parte destas doenças pode ser revertida através da alimentação. Saber que para ser saudável basta comer vegetais frescos, alimentos inteiros e ler os ingredientes das embalagens para evitar aqueles que não conseguimos imaginar no seu estado natural, não é nada fascinante. Nem vende medicamentos.
Para todos os efeitos, toda a gente sabe o que deve comer. No entanto, na alimentação pós-moderna, a confusão paira e, para tornar a nossa vida muito mais fácil e deslumbrante, temos os especialistas em nutrição que descobrem coisas sensacionais e explicam o que devemos comer. Temos a indústria alimentar que refaz e publicita os seus produtos de acordo com as novas descobertas. E a comunicação social que tem sempre grandes novidades sobre nutrição e saúde para escrever. Todos ganham, menos quem tem de comer.
Originalmente, publicada aqui.
Todos os dias, chegam milhares de novos produtos aos supermercados que se esforçam por convencer-nos que são comida, quando realmente são um amontoado de ingredientes altamente processados que a nossa bisavó não faria a mínima ideia do que se trataria. Sulfato de amoníaco e glutamato monossódico são coisas que se comem? Parece que sim. Toda a gente já os trouxe do supermercado, no pão embalado, nos iogurtes gregos ou nas bolachas para bebés. São aditivos químicos usados para intensificar o sabor dos alimentos, conservá-los e dar-lhes cor e aromas apelativos, ou seja, todas as características que um alimento fresco e não tratado tem, naturalmente.
Outra característica fora do padrão clássico alimentar é a obsessão pelas propriedades dos alimentos que supostamente vão-resolver-todos-os-problemas-da-sua-vida. São os fitoesteróis do creme vegetal que vão acabar com o seu colesterol, é a vitamina B6 dos mini-iogurtes que vão protegê-lo contra todas as gripes e constipações e os sumos recheados de antioxidantes que vão mantê-lo jovem para sempre.
Então, aqui vai a pergunta que se torna praticamente inevitável diante das longas prateleiras dos supermercados apinhadas de alimentos processados: Porquê?
Bem, vender legumes frescos que apodrecem numa semana, arroz que ganha bicho e pão tosco que ganha bolor rende muito menos dinheiro. Já pensou como é um quilo de batatas pré-fritas congeladas é mais barato do que um vulgar quilo de batatas que nem descascadas estão?
É claro que os alimentos altamente processados, cheios de aditivos químicos e desprovidos da maior parte dos seus nutrientes naturais, têm uma data de validade radicalmente mais longa do que os alimentos frescos. Processo e embalo hoje, vendo durante um ano.
O problema é que os alimentos processados aumentam a probabilidade de virmos a sofrer de diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e cancro, coisa que o material promocional destes alimentos nunca refere, tal como as relações públicas da indústria da saúde não falam dos estudos que afirmam que a maior parte destas doenças pode ser revertida através da alimentação. Saber que para ser saudável basta comer vegetais frescos, alimentos inteiros e ler os ingredientes das embalagens para evitar aqueles que não conseguimos imaginar no seu estado natural, não é nada fascinante. Nem vende medicamentos.
Para todos os efeitos, toda a gente sabe o que deve comer. No entanto, na alimentação pós-moderna, a confusão paira e, para tornar a nossa vida muito mais fácil e deslumbrante, temos os especialistas em nutrição que descobrem coisas sensacionais e explicam o que devemos comer. Temos a indústria alimentar que refaz e publicita os seus produtos de acordo com as novas descobertas. E a comunicação social que tem sempre grandes novidades sobre nutrição e saúde para escrever. Todos ganham, menos quem tem de comer.
Originalmente, publicada aqui.
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