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Tive algumas dificuldades, mas graças a Deus tudo acabou bem.*

É uma força interior que me aproxima destas causas. O que me move é o sofrimento de pessoas que estão a escassos quilómetros de nós, diz a Inês Patrocínio*. Fiquei emocionada e com algumas dúvidas.

O que quer ela dizer com “escassos quilómetros”?

Há pobres em Portugal?

Não é glamoroso tirar fotos a "ajudar" os pobres portugueses?

O que é que a Inês Patrocínio foi realmente fazer a África?

Quem foi o africano que ficou melhor depois da visita da Inês Patrocínio?

Quantos rebuçados deu a Inês Patrocínio às crianças africanas?

Será que já passou pela cabeça da Inês Patrocínio que os que os ocidentais fazem em África ou é colonização ou é turismo de pobreza?

Saberá, a Inês Patrocínio, o significado da palavra paternalismo?

Para que é que se tira uma fotografia destas?


Talvez a Barbie Savior saiba.


A pequena biografia no perfil já conta metade da história apenas com palavras-chave: "Jesus. Aventura. Um amor. Bebés. Beleza. Não qualificada. Convocada. Vinte anos de idade. Não é sobre mim... mas até é". Neste perfil de Instagram, vemos uma Barbie em África a fazer "selfies" entre ruínas, a aprender a dançar "como os nativos", a mostrar a sua nova tatuagem, feita uma semana após aterrar: o contorno do continente é acompanhado pelas palavras "Te Amo", que "significam 'amor' em africano". Criada por duas jovens de 20 anos, a conta Barbie Savior parodia, com muito humor, todos aqueles que decidem viajar para um país em desenvolvimento como voluntário, mas que, em vez de ajudar, tornam toda a experiência num acontecimento sobre si próprios. No fim de contas, satiriza o "white savior complex", termo que descreve os ocidentais brancos que se precipitam para países mais pobres para "salvar" pessoas, mas, muitas vezes, é apenas um exercício de auto-congratulação com um certo resquício de colonialismo à mistura. In P3

Eu tenho um pobre III.


Lista dos vencedores do concurso de pobreza,
 Diário de Notícias, 2 de Fevereiro de 1908.
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Livro da 3ª Classe do Estado Novo, 1951.
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Discurso de Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome,
SIC, 2012.
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"A EDP apoia iniciativas promovidas pela comunidade onde se insere, promovendo a realização de projectos que, de outra forma, não teriam apoio financeiro, e fomentando o desenvolvimento económico, social e cultural. Desta forma, procura manter e reforçar uma longa tradição assente em critérios de transparência e cooperação.

No apoio aos projectos são considerados critérios que tenham em conta:

O Código de Ética, os Princípios de Desenvolvimento Sustentável e a Política de Stakeholders do Grupo EDP;
O enquadramento na Politica de Investimento Social da EDP Produção
A credibilidade das organizações e a sua contribuição para, pelo menos, uma das dimensões do desenvolvimento sustentável;
O valor e a relevância dos projectos para as comunidades;
As relações económicas, institucionais ou sociais com o Grupo EDP."

Texto do site da EDP, na qual explicam os critérios elegíveis para se obter as oferendas de dinheiro do departamento de responsabilidade social, 2015.
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Eu tenho um pobre II.

(Mata-Ratos, Eu tenho um pobre)

Eu tenho um pobre
Esfarrapado e sujo
Sou um cidadão honrado
Mereço ser venerado

IIII.

Eu tenho um pobre I.

Solidariedade é auxiliar o outro para que ele ande sozinho, depois da dificuldade por que passa. “Não quero nada em troca. Hoje, preciso eu, amanhã precisas tu. Somos todos iguais.”

Caridade é ajudar o outro de forma a que ele continue a depender de mim. “Quero honras ou exercer autoridade sobre ti. Tu és, e quero que continues a ser, inferior a mim. E eu só te estou a ajudar porque sou muito boa pessoa.”

"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida." Crónica de António Lobo Antunes, Visão, 2013.


 IIIII.