Não havia alternativa. Para sobreviver, teria que trabalhar nos tempos livres que lhe restavam. Todos os dias, apenas parava para comer e dormir, o que não conseguia fazer pela falta de sentido de vida. A ela, nem emprego lhe davam. Diziam que eram trabalhos muito exigentes para mulheres.
No dia seguinte, vi isto afixado:
Aviso todas as pessoas para se retirarem da fábrica até às 9h55, hora exacta em que será bombardeada. O objectivo é alertar para a submissão do amor ao capitalismo, pelo que apenas pretendemos explodir com as instalações. O anarquista continuará no anonimato. Apenas se sabe que este é um acto feminista.
Sobreviveram todos. Agora, já não é a fábrica que faz a comida. Somos nós que plantamos, transformamos, cozinhamos e comemos. Todos têm tempo e conseguem dormir. E, diz-se por aí, o nosso ex-chefe, que estava impotente, faz amor muitas vezes.
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Mosquitos em Roma.
Elas ainda gastam mais do dobro do tempo em tarefas domésticas do que eles, diz o Público de hoje. "Desigualdade de género? Ó Fabiana, só vês mosquitos em Roma, andas um bocado tapada com isso, vês tudo com o filtro da opressão." Vejo, vejo.
Para isto, há apenas uma resposta, desobedecer.
Em caso de Nem saúde, nem tempo, nem dinheiro, responde-se assim A mulher e a sua propriedade.
Quem tiver tempo, ainda pode ver um videozinho e ouvir uma musiquinha.
Nem saúde, nem tempo, nem dinheiro.
"Obesidade, depressão, consumo de medicamentos e doenças crónicas como a hipertensão, as dores lombares ou as alergias. As mulheres portuguesas estão 'à frente' em quase todos os indicadores de problemas de saúde."
As mulheres portuguesas estão mais doentes do que os homens porque fazem trabalho que não é delas. Ir ao supermercado, cozinhar, lavar, passar, limpar, roupa, chão e casas de banho. A dobrar, do marido, e a triplicar ou quadruplicar, dos filhos. Mais o emprego. Esgotadas, deprimidas, ansiosas por causa da exaustão, tomam comprimidos para aguentar aquilo que nunca deveriam sujeitar-se a fazer. Isso sem contar com o facto de terem que estar bonitas e com muita vontade de fazer sexo.
Depois, não me venham atirar areia para os olhos e dizer que o machismo não existe em Portugal, que vejo tudo com o filtro da opressão, e blá blá blá. Ide comprar e fazer a vossa comida e lavar a vossa roupa.
As mulheres portuguesas estão mais doentes do que os homens porque fazem trabalho que não é delas. Ir ao supermercado, cozinhar, lavar, passar, limpar, roupa, chão e casas de banho. A dobrar, do marido, e a triplicar ou quadruplicar, dos filhos. Mais o emprego. Esgotadas, deprimidas, ansiosas por causa da exaustão, tomam comprimidos para aguentar aquilo que nunca deveriam sujeitar-se a fazer. Isso sem contar com o facto de terem que estar bonitas e com muita vontade de fazer sexo.
Depois, não me venham atirar areia para os olhos e dizer que o machismo não existe em Portugal, que vejo tudo com o filtro da opressão, e blá blá blá. Ide comprar e fazer a vossa comida e lavar a vossa roupa.
Muito corpo, pouca alma.
Gosto muito de todas essas fotos sexyco-porno-olhar-matador-boca-aberta que vocês põem aí no Facebook e no Instagram. Ou isso ou cenas de filmes-muita-erotico-intelectuais-diz-la-que-eu-nao-sou-mais-esperta-que-as-outras-mas-super-sexy-e-louca. O problema não é apelarem ao sexo. Isso é estratégia básica do animal. O problema é a posição de subserviência em que se põem. E depois acham muito mal as montras da Red Light. Lá, é trabalho. Aqui, é estalar os dedos e ficam todas faço-tudo-o-que-tu-quiseres-desde-que-me-dês-atenção. Façam, façam. Depois, não se venham queixar que não gostam do que vos calhou na rifa. Homens a sério gostam de mulheres a sério, não de cadelas amestradas.
Crime e feminismo.
"O feminismo já não faz sentido nos dias de hoje. As leis são iguais tanto para os homens como para as mulheres."
O crime já não faz sentido nos dias de hoje. As leis não permitem o crime.
Lei fundamental portuguesa:
Todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição.
Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
A integridade moral e física das pessoas é inviolável.
A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.
Todos têm direito à liberdade e à segurança.
ah ah ah
O crime já não faz sentido nos dias de hoje. As leis não permitem o crime.
Lei fundamental portuguesa:
Todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição.
Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
A integridade moral e física das pessoas é inviolável.
A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.
Todos têm direito à liberdade e à segurança.
ah ah ah
Apanho a segunda onda.
A ideia da terceira vaga, de utilizar a “feminilidade” para manipular os homens, parece-se demasiado com a serpente que seduz as vítimas masculinas. Sou mulher branca, ocidental, vivo numa sociedade capitalista, etc., e, naturalmente, incorporo as características desses sistemas. Calço saltos altos por causa disso. Sinto-me mais sexy de saltos altos porque vivo aqui, porque incorporei a ideia híper-sexualizada-masculino-hegemónica do que é ser sexy. Se vivesse numa tribo, pintava o corpo de amarelo. Se o faço, inconscientemente, para manipular os homens, não sei. Acho que é mais um jogo de sedução que incorpora as características da dominação do que algo premeditado. Não sei, não sei.
Mas se fosse para escolher entre a ideia de auto-empoderamento da Beatrix, a apologia da mulher autónoma e forte que assume que não precisa de um homem para nada, ainda que não negue, e tenha prazer em, claro, relacionar-se com ele, e a imagem da Fabienne, sensível, com ar frágil, mas que não precisa de impor-se para fazer o que lhe apetece, fá-lo à revelia da vontade do homem, ignorando-o, eu escolheria a Beatrix.
Uma coisa deste género.
A mulher e a sua propriedade.
O problema começa quando te apaixonas. A partir desse dia, colocas a tua vida em suspenso e dedicas-te completamente ao outro. Deixas de ir ao jantar semanal com os amigos para estar com ele. Deixas de fazer desporto para estar com ele. A hora diária que passavas a ler ou a ver o teu programa preferido é substituída por uma hora à espera de uma mensagem ou de um telefonema, ou a acompanhá-lo nas actividades dele. Relegas a escola ou o trabalho para segundo plano e passas a agir de acordo com aquilo que pensas ser os gostos da outra pessoa. Acreditas que esse sacrifício vale a pena porque crês que o êxtase que sentes quando estás com ela é aquilo que sempre procuraste.
Entretanto, decidem viver juntos. Ao esforço emocional, acresce o esforço físico. Compras as matérias-primas para as refeições e para a limpeza da casa. Cozinhas, limpas, passas a ferro, serves as refeições e lavas a loiça. O teu novo trabalho não tem horário, não tem direitos de doença ou despedimento e muito menos remuneração. Fá-lo gratuitamente todos os dias na esperança de seres recompensada com amor e compaixão. É neste momento que começas a ficar exausta e, como verificas que o relacionamento está a piorar, esforças-te ainda mais, tentado agradar de todas as formas. Pode ser também neste momento que decides abandonar o teu trabalho para te dedicares a tempo inteiro ao companheiro, à casa e aos filhos. Se já tinhas perdido a independência emocional, agora também perdes a independência financeira. Tal como os escravos, trocas trabalho por um tecto e comida, com a agravante de teres de estar disposta sexualmente e ouvir frases como “A única coisa que sabes fazer é pedir dinheiro.” Ou “Mas porque é que estás cansada se estiveste todo o dia em casa?”
Pode chegar o dia em que pensas que isto aconteceu porque não és suficientemente bonita ou inteligente, que tens uma tendência natural para a depressão, para o histerismo ou mesmo para a loucura. Mas não acredites nisso. Esta história não é sobre beleza ou inteligência mas sobre autonomia, sobre o sacrifício que fazemos para recebermos do companheiro aquilo que precisamos de dar a nós próprias.
Para que isto não aconteça contigo, emancipa-te. Mantém a tua independência. Não importa se fazes “telemarketing”, se serves às mesas ou és empresária. Orgulha-te da capacidade que tens de sustentar-te. Não faças o trabalho doméstico que compete ao teu companheiro. Se ele não o fizer, não te apoquentes. Trata da tua comida e da tua roupa e segue em frente. Não te isoles dos teus amigos ou da tua família. Para não dependeres emocionalmente da outra pessoa, partilha o teu amor com outras pessoas, animais, natureza, música, livros, desporto ou outras paixões. Não controles nem deixes que te controlem. Prioriza sempre a tua dignidade, porque ela é, no fim de contas, a coisa mais importante que possuis.
Entretanto, decidem viver juntos. Ao esforço emocional, acresce o esforço físico. Compras as matérias-primas para as refeições e para a limpeza da casa. Cozinhas, limpas, passas a ferro, serves as refeições e lavas a loiça. O teu novo trabalho não tem horário, não tem direitos de doença ou despedimento e muito menos remuneração. Fá-lo gratuitamente todos os dias na esperança de seres recompensada com amor e compaixão. É neste momento que começas a ficar exausta e, como verificas que o relacionamento está a piorar, esforças-te ainda mais, tentado agradar de todas as formas. Pode ser também neste momento que decides abandonar o teu trabalho para te dedicares a tempo inteiro ao companheiro, à casa e aos filhos. Se já tinhas perdido a independência emocional, agora também perdes a independência financeira. Tal como os escravos, trocas trabalho por um tecto e comida, com a agravante de teres de estar disposta sexualmente e ouvir frases como “A única coisa que sabes fazer é pedir dinheiro.” Ou “Mas porque é que estás cansada se estiveste todo o dia em casa?”
Pode chegar o dia em que pensas que isto aconteceu porque não és suficientemente bonita ou inteligente, que tens uma tendência natural para a depressão, para o histerismo ou mesmo para a loucura. Mas não acredites nisso. Esta história não é sobre beleza ou inteligência mas sobre autonomia, sobre o sacrifício que fazemos para recebermos do companheiro aquilo que precisamos de dar a nós próprias.
Para que isto não aconteça contigo, emancipa-te. Mantém a tua independência. Não importa se fazes “telemarketing”, se serves às mesas ou és empresária. Orgulha-te da capacidade que tens de sustentar-te. Não faças o trabalho doméstico que compete ao teu companheiro. Se ele não o fizer, não te apoquentes. Trata da tua comida e da tua roupa e segue em frente. Não te isoles dos teus amigos ou da tua família. Para não dependeres emocionalmente da outra pessoa, partilha o teu amor com outras pessoas, animais, natureza, música, livros, desporto ou outras paixões. Não controles nem deixes que te controlem. Prioriza sempre a tua dignidade, porque ela é, no fim de contas, a coisa mais importante que possuis.
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