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Pendura-me na parede de um museu.
O problema de toda a gente andar obcecada com o melhoramento do corpo é o mesmo de toda a gente andar afogada em enormes quantidades de imagens publicitárias, facebookianas e instagramicas. A coação da hipervisibilidade reside no facto de só o valor de exposição contar. Não há nada para além do corpo. Não há narrativa.
Corpos há muitos.
"O erotismo, no seu conjunto, é infracção às regras das proibições: é uma actividade humana. Mas, embora comece onde o animal acaba, a animalidade é sempre o seu fundamento. Desse fundamento, a humanidade desvia-se com horror (...).
Sempre associada ao erotismo, a sexualidade física está para o erotismo como o cérebro está para o pensamento." Georges Bataille, in O Erotismo.
Ou,
Ainda que o impulso erótico nasça da nossa animalidade, o que nos embriaga não é o corpo. É o pensamento. E é precisamente dele que se alimenta o erotismo.
Sempre associada ao erotismo, a sexualidade física está para o erotismo como o cérebro está para o pensamento." Georges Bataille, in O Erotismo.
Ou,
Ainda que o impulso erótico nasça da nossa animalidade, o que nos embriaga não é o corpo. É o pensamento. E é precisamente dele que se alimenta o erotismo.
Muito corpo, pouca alma.
Gosto muito de todas essas fotos sexyco-porno-olhar-matador-boca-aberta que vocês põem aí no Facebook e no Instagram. Ou isso ou cenas de filmes-muita-erotico-intelectuais-diz-la-que-eu-nao-sou-mais-esperta-que-as-outras-mas-super-sexy-e-louca. O problema não é apelarem ao sexo. Isso é estratégia básica do animal. O problema é a posição de subserviência em que se põem. E depois acham muito mal as montras da Red Light. Lá, é trabalho. Aqui, é estalar os dedos e ficam todas faço-tudo-o-que-tu-quiseres-desde-que-me-dês-atenção. Façam, façam. Depois, não se venham queixar que não gostam do que vos calhou na rifa. Homens a sério gostam de mulheres a sério, não de cadelas amestradas.
Em casa, não gosto de ti.
O comportamento público dos casais mostra como a maioria das pessoas se compromete para obter estatuto social e não porque apreciam quem está ao lado. Há tantas formas de afirmação social que não dependem da utilização do outro. Não percebo porque escolhem esta.
Antinomia.
Quando amamos, parte de nós morre. O amor transforma-nos porque alienamos alguma da nossa natureza e tornamo-nos portadores de parte da natureza do outro. Não é a apropriação do outro mas a transformação de nós mesmos, resultante da antinomia.
A entrada no outro coloca-nos no desconhecido.
E é no desconhecido que nos vulnerabilizamos.
Por isso, o amor não pode ser terno, doce, tranquilo e todos os nomes que a romantização e a domesticação o querem chamar.
O sujeito narcísico da sociedade actual, ao lutar contra todos os sentimentos negativos, reduziu o amor a um objecto de consumo.
A pornografia é um exemplo disso. Estamos cada vez mais nus e nunca houve tão pouco erotismo. O rosto pornográfico não tem expressão nem mistério. Um corpo nu é um corpo nu. É a sexualidade sem mais. Aí, somos todos iguais. No que nos difere é que nasce o erotismo.
No inferno do igual, contra a violência do consenso, vestir, pensar, ritualizar é transformar.
Frente à coacção da conformidade higienista, amar é transgredir.
A entrada no outro coloca-nos no desconhecido.
E é no desconhecido que nos vulnerabilizamos.
Por isso, o amor não pode ser terno, doce, tranquilo e todos os nomes que a romantização e a domesticação o querem chamar.
O sujeito narcísico da sociedade actual, ao lutar contra todos os sentimentos negativos, reduziu o amor a um objecto de consumo.
A pornografia é um exemplo disso. Estamos cada vez mais nus e nunca houve tão pouco erotismo. O rosto pornográfico não tem expressão nem mistério. Um corpo nu é um corpo nu. É a sexualidade sem mais. Aí, somos todos iguais. No que nos difere é que nasce o erotismo.
No inferno do igual, contra a violência do consenso, vestir, pensar, ritualizar é transformar.
Frente à coacção da conformidade higienista, amar é transgredir.
A via curta do cão III.
"O actual sujeito narcísico do rendimento visa, sobretudo, o sucesso. O sucesso veicula uma confirmação de si através do outro. Pois bem, o outro, despojado da sua alteridade, vê-se degradado para a condição de espelho que confirma no seu eu."
Byung-Chul Han, in A Agonia de Eros, 2014.
Byung-Chul Han, in A Agonia de Eros, 2014.
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