Pulp Fiction, Tarantino.

                                                                       Banda sonora

Do corpo.


Fragmentos de um discurso amoroso, Roland Barthes.

Film.

Weekend, Godard.

                                                                     Banda sonora

The astral plane.

Filósofos e o amor, Aude Lancelin & Marie Lemonnier.

Sleeper, Woody Allen.



Filósofos e o amor, Aude Lancelin & Marie Lemonnier.

Ça va de soi.

Kill Bill, Tarantino.



                                                                   


                       Banda sonora

Se o remédio é abrandar, por que continuamos a correr?

Um espectro atravessa os novos tempos, o da exaustão. Vivemos a violência do excesso: de informações, estímulos e impulsos. Nunca paramos. Estamos sempre a produzir, a render, a comunicar. Corremos como gazelas mesmo sentados. E se em algum momento surgir um tempo vazio, corremos a ocupá-lo. A violência da sociedade actual já não é só disciplinar, também é neuronal.

Passamos de criar loucos e criminosos para conceber esgotados, frustrados e deprimidos. As doenças paradigmáticas da nossa época, como o transtorno por défice de atenção e hiperactividade, o transtorno de personalidade "borderline" ou o síndroma de "burnout" não têm origem num vírus, na alteridade. O inimigo fundiu-se em nós, está no próprio sistema. A doença nasce no corpo sobreaquecido, e alastra-se como metástases, minando silenciosamente as nossas almas. E a pergunta impõe-se. Se a exaustão nasce do excesso, e dá origem a uma autoagressão apática e progressiva, por que é que não diminuímos, retiramos, cessámos? Se o remédio é abrandar, porque continuamos a correr?

Primeiro, estamos sobreocupados porque há uma pressão constante para um maior rendimento. O objectivo da sociedade actual é claro: o ser humano é uma máquina que tem que maximizar a sua produção e funcionar sem falhas e interrupções. É por este motivo que há cada vez mais medicamentos para aumentar as capacidades físicas e intelectuais, que nos permitam continuar mesmo quando já ultrapassamos os nossos limites. Ou a razão do aumento do consumo de drogas para entretenimento. Esgotados, deixamos de ter a capacidade de nos divertir, enfraquecemos, separamo-nos.

Depois porque, na era moderna, sem crenças, sem convicções e isolados, sem nada que nos garanta duração ou estabilidade, precisamos a todo o custo encontrar um sentido de vida. A ocupação constante é uma tentativa de esquecimento da nossa finitude. Alienamo-nos voluntariamente para vestir esta vida nua. Mas vesti-la desta forma não só não nos tira o frio, como está a tornar-nos angustiados, frustrados, deprimidos.

O ser demasiado ocupado é um ser automatizado. A hiperactividade não é mais do que um sintoma de esgotamento nervoso que resulta numa hiperpassividade. Quando estamos exaustos, deixamos de conseguir resistir aos estímulos. Ficamos diminuídos das nossas capacidades. Não tomamos decisões livres. Fazemos tudo por impulso, não porque escolhemos fazer. A máquina não consegue deter-se. Ou, como diria Nietzsche, “tal como uma pedra, o homem activo rebola ao sabor da estupidez mecânica.” E o frenesim apenas acelera o que já existe. Não gera nada de novo. Só a contemplação do descanso permite o pensamento, a criação.

Talvez seja por isto que Pascal dizia que “toda a infelicidade dos homens vem de uma só coisa, que é não saberem ficar quietos dentro de um quarto” ou que o último filme de Godard termine com Roxy, um cão que passeia, brinca e dorme sestas no sofá, num Adeus à linguagem. O não-fazer, o descanso profundo, o tempo sem tempo, proporciona-nos uma serenidade especial. Descansados, rejuvenescemos, gostamos mais dos outros. As coisas começam a reluzir, a bruxulear. Neste mundo frenético, de uma imensa necessidade de paz, urge, pois, parar, interromper, descansar.

Roxy.

Adieu au langage, Godard.

"Creio no mundo como num malmequer, 
Porque o vejo. Mas não penso nele 
Porque pensar é não compreender ... 

O Mundo não se fez para pensarmos nele 
(Pensar é estar doente dos olhos) 
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... 

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... "

Alberto Caeiro,"O Guardador de Rebanhos - Poema II"

Adieu au langage, Godard.

30 dias sem redes sociais.

Fazemos contas a tudo. Fazemos contas à vida e ao dinheiro. Raramente fazemos contas ao tempo. Decidi fazer a contabilidade do meu: de um dia, oito horas gasto-as a dormir, outras oito a trabalhar, e preciso de saber o que faço do resto. Viagens, revisão de livros, aulas, e, como vivo sozinha: tratar do corpo, da roupa, das compras e do jantar. Mas ainda me sobrava tempo. Perguntei-me: "O que fazes depois de acordar, quando queres descomprimir do trabalho e depois de almoçar e jantar?", A resposta estava dada. Gastava-o nas redes sociais.

Além do tempo que nos roubam e do tempo que nos tomam, o resto deixamo-lo escapar. Para mudar o hábito, procurei inspiração e resumi o plano:

1. Fazer a lista dos hábitos a mudar e focar apenas num de cada vez. 2. Compreender o que o desencadeia: antes de o fazer, o que sente? Onde está? Com quem está? O que acabou de fazer? 3. Escolher uma actividade que substitua esse hábito. 4. Repetir a nova actividade até se tornar no novo hábito.

As minhas respostas estavam dadas e as substituições escolhidas. Depois de acordar, iria caminhar. Depois do almoço, ler. Depois do jantar, conversaria com amigos, leria, veria filmes ou meditaria. Quando me sentisse aborrecida ou cansada, os motivos habituais que me levavam a entrar nas redes sociais, sairia do sítio onde estava, durante alguns minutos, para desanuviar. E assim fiz, durante 21 dias, o tempo supostamente necessário para deixar de pensar no hábito antigo e fazer automaticamente o novo. O que efectivamente aconteceu. Nas caminhadas matinais, com o Thoreau debaixo do braço, que isto de alterar hábitos exige motivações filosóficas, surgiu a pergunta: "Se toda a gente despreza as redes sociais de alguma forma, o que nos faz estar tão imersos nelas?".

Imergimos online porque precisamos de evadir-nos. Seja pela televisão, pelo jogo, pelas compras supérfluas, pelas ideias, pelo álcool ou pelas drogas, tentamos por todos os meios superar as nossas limitações humanas e afastar-nos das misérias da vida quotidiana. E precisamos dessa evasão especialmente quando estamos exaustos, porque poderíamos consegui-lo através do desporto, da arte ou da meditação. Mas, como diria Musil, o ser esgotado sente-se atraído pelo que lhe faz mal.

Isolamento

E as redes sociais podem fazer mal por três motivos essenciais: fantasia, vício e solidão. É apenas uma fantasia porque é feito de verdades parciais. Não há silêncios incómodos, copos de vinho derramados, nem desarranjos intestinais. Lá, somos todos muito felizes e anfetaminadamente sociáveis. O problema é que no campo da ficção não é possível criar relações humanas íntimas. Todos sabemos que o determina a profundidade de uma relação é a qualidade e não a quantidade das interacções.

E qualidade implica estar com a pessoa em carne e osso. Substituir a comunicação cara-a-cara pela comunicação apenas online diminui as nossas capacidades de socialização e provoca isolamento. E não é o isolamento dos orgulhosamente não-conformistas, das mentes reflexivas, ou do estóico solitário. É a solidão. E é aqui que as redes sociais se podem tornar viciantes. Quando as utilizamos porque nos sentimos sozinhos, mas estamos cada vez mais isolados por lá estarmos. 

O meu objectivo não é juntar-me à paranoia anti-redes que as acusam de ser uma cominação que ataca a população inocente. É apenas uma tecnologia e, como tal, nós é que escolhemos como a usamos. A questão é que nós podemos escolher aquilo a que prestamos atenção e em que gastamos o tempo. Porque na vida contemporânea é extremamente difícil mantermo-nos conscientes e alerta, não nos afastarmos das fontes humanas de felicidade: contacto com a natureza, liberdade e relações humanas íntimas, e não ficarmos hipnotizados por uma orgia deslumbrante de ilusões.

Add it up.

Blue Velvet, David Lynch.

Adorar.

David Foster Wallace, Uma coisa supostamente divertida que nunca mais vou fazer.

Sete.

"Textos e Ensaios Filosóficos I", Sete cartas a um jovem filósofo, Agostinho da Silva.

Estoirar os músculos ou balir.

"Textos e Ensaios Filosóficos I", Sete cartas a um jovem filósofo, Agostinho da Silva.

Atirar a moeda ao ar.

"Textos e Ensaios Filosóficos I", Sete cartas a um jovem filósofo, Agostinho da Silva.

A obra II.


 "Textos e Ensaios Filosóficos I", Sete cartas a um jovem filósofo, Agostinho da Silva.

A obra.

 "Textos e Ensaios Filosóficos I" , Sete cartas a um jovem filósofo, Agostinho da Silva.

O ser esgotado.

O Homem sem qualidades, Robert Musil.

Férias.

O Homem sem qualidades, Robert Musil.

Estabilidade.


Cartas a Lucílio, Séneca.

Inchar os alvéolos.


Cartas a Lucílio, Séneca.

Ulrich.


O Homem sem qualidades, Robert Musil.

Cinema.

David Lynch não Perde a Cabeça, David Foster Wallace.

Alfreda.

Alfreda ou a Quimera, Vasco Moura.

Obras-primas.

O Teatro e o seu Duplo, Antonin Artaud.

Censura oculta.


Estudos sobre os jornalistas portugueses: metamorfoses e encruzilhadas no limiar do séc XXI / Org. José Luís Garcia.

Antinomia.

História do Anarquismo, Jean Préposiet.

69.


Cartas a Lucílio, Séneca.

estados.

O Homem sem qualidades, Robert Musil.