Como cumprir ordens III.

No outro dia, estacionei o carro num parque de estacionamento de uma escola, ao lado do trabalho. Tinha sempre mais de metade dos lugares vazios, pelo que tomei a liberdade de deduzir que um lugar ocupado não faria qualquer diferença. Quando já pensava que finalmente tinha encontrado um lugar de estacionamento nesta cidade, eis que surge o porteiro da escola.

- Ó menina, este parque é reservado aos docentes da escola.

-Compreendo. Mas venho aqui todos os dias e tem sempre mais de metade dos lugares desocupados. Como não há lugares lá fora, e aqui há muitos vazios, pensei que não haveria problema de estacionar.

- Mas há. Não pode estacionar aqui.

- Porquê?

- Porque são ordens que tenho.

- De quem?

- Já lhe disse. São ordens.

- O senhor é o responsável pela gestão do parque de estacionamento?

- Não. Mas não pode estacionar aí.

-Mandaram-lhe dizer-me para tirar o carro?

-Não. Eu é que a vi a estacionar e sei que não pode estacionar.

-Mas que diferença lhe faz que estacione aqui?

-Já lhe disse que são ordens.

- Olhe, tem o parque de estacionamento vazio, ninguém o mandou vir obrigar-me a tirar o carro. O senhor tem necessidade de mandar em alguém, de sentir o poder, é isso?

-Já lhe disse que são ordens.

- Olhe, os nazis também mataram os judeus porque estavam a cumprir ordens.

-Está a chamar-me nazi?

- Não, não. Foi só uma analogia. Mas, digo-lhe, tem imenso jeito para PIDE.